A Ford anunciou esta segunda-feira (11) que está de saída do Brasil, após mais de um século de parceria com o país. O anúncio do

encerramento das atividades da montadora repercutiu nacionalmente e esteve

entre os assuntos mais comentados de hoje. Aos

paraenses, o fechamento lembrou a interessante história entre a Ford e o Pará no século passado, que

também acabou encerrando-se de forma melancólica.

Na década de 20 o empresário norte-americano, um baluarte da

indústria de automóveis mundial, apostou todas as fichas na criação de um

distrito, praticamente uma minicidade, no município de Aveiro, em 1927, no sudoeste do Estado. O

governador da época, Dionísio Bentes, concedeu uma série de incentivos para

atrair Ford para a floresta amazônica. O acordo significou esperança no desenvolvimento industrial amazônico.

Ruínas de Fordlândia, por volta de 2005. Foi neste local que trabalhadores se revoltaram contra a alimentação oferecida pelos norte-americanos. reprodução Wikipedia

As ambições eram muitas. Henry Ford queria tornar a ‘Fordlândia’

em um polo fornecedor de látex para todas as suas indústrias. Ao contrário da

maioria das montadoras, Ford desejava investir nos seringais brasileiros, que estavam em decadência após a ascensão da borracha produzida na Malásia, país que

fornecia para as mais importantes empresas na época.

Vista aérea de Fordlândia em 1934. Reprodução Wikipedia

Após conseguir a concessão do território, Ford investiu

maciçamente em estrutura, mas a aventura foi por água abaixo após 18 anos. A

falta de colaboração do governo brasileiro, assim como o clima amazônico e o

temperamento quente dos trabalhadores paraenses, junto com os avanços

científicos da produção da borracha a partir de derivados de petróleo e não

mais do látex, fez com que o projeto ruísse em 1945. Ford, entristecido com o

Brasil, abandonou todo o projeto, deixando para trás toda a milionária

estrutura que havia criado. Ele foi indenizado pelo governo brasileiro comandado por Eurico Gaspar Dutra, que também arcou com as despesas trabalhistas dos empregados. Em troca, Ford mandou construir hospitais, portos, estações de tratamento de água e outras estruturas, algumas que até hoje permanecem de pé.

Ruínas de Fordlândia, por volta de 2005 Reprodução Wikipedia

Após o abandono, o local ganhou fama de cidade fantasma,

mesmo sendo gradativamente habitado até os dias atuais. Em 2010 o IBGE contabilizou cerca de 1 200 residentes

somente na vila, números que somados ao território total do distrito chega a

cerca de 2000 moradores em Fordlândia. A história entre a Ford e o Pará é contada por diversos livros, alguns premiados internacionalmente. As ruínas da cidade

sonhada por Henry Ford em 1945, de alguma forma, se aproximam deste 2021, ano

em que a empresa desistiu do país e foi para a Argentina. Qualquer semelhança

entre as histórias não é mera coincidência.

Caixa d'água e Escritório Central de Fordlândia, em Setembro de 2010. Foto: Reprodução

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