"No começo eu era criticada. Meu próprio ex-esposo dizia que eu trabalhava com lixo. Até hoje ele critica, mas digo para ele que o lixo daqui pode virar até luxo, caso um dia ele precise”. Mãe de três filhos, Marcilene da Silva, 31 anos, há 4 meses integra a Cooperativa de Catadores(as) de Materiais Recicláveis dos Caetés (Coomarca), de Bragança, nordeste paraense.

Com um sorriso no rosto e olhar determinado, ela afirma que seus filhos “não têm preconceito com o meu trabalho, de jeito nenhum. Não é vergonha, nem falta de respeito a pessoa trabalhar com lixo, é um trabalho honesto. A minha vida mudou bastante”.

Determinada, Marcilene é uma das catadoras da cooperativa que tenta mudar a forma de se descartar óleo do cozinha em Bragança. Foto de Gabriel Caldas

Ela é uma das 16 pessoas que fazem parte da cooperativa que viram sua vida mudar com o projeto de inclusão social e produtiva, de autoria do Instituto Nova Amazônia (Inã), organização sem fins lucrativos que atende grupos considerados excluídos e populações tradicionais na região.

Um dos projetos do Inã que ajudou os catadores a aumentarem sua renda foi o da produção de sabão artesanal e ecológico a partir do óleo de cozinha que era descartado por estabelecimentos comerciais. O produto, que antes era descartado de forma irregular, agora tem um destino social e sustentável.

“O óleo não está mais indo poluir o Rio Caeté, que fica na orla e banha a cidade. Não está mais indo para as valas, não está mais poluindo o ambiente. Está indo para a cooperativa, para que ele possa gerar o sabão artesanal, utilizado e vendido em Bragança”, explica Patrícia Reis, antropóloga e presidente do Inã.

O Instituto Nova Amazônia (Inã) foi criado em 2017, em Bragança. Uma das principais ações é o projeto de inclusão social e produtiva dos catadores de materiais recicláveis, que contou com apoio do Banco da Amazônia.

Tarcísio Reis, Ana Raquel Leite e Patrícia Reis são os responsáveis pelo INÃ. Foto de Gabriel Caldas

Segundo Patrícia Reis, a cooperativa, que antes era somente um espaço de coleta e triagem dos materiais, agora funciona como ponto de produção e comercialização do sabão ecológico que é produzido após a coleta de óleo de cozinha que era descartado de forma irregular. “O sabão é de qualidade, cumpre a sua função de limpeza e tudo feito de forma artesanal pelos próprios catadores de materiais recicláveis, dentro da Coomarca”, explica.Acesse a segunda reportagem: Óleo de cozinha que poluía rio em Bragança é transformado em sabão ecológico; saiba como!Veja a última reportagem da série: Ações ajudam catadores(as) a produzirem sabão ecológico e se alfabetizaremReportagem: Andressa Ferreira

Direção e edição: Enderson Oliveira

Imagens e edição de vídeo: Gabriel Caldas

Coordenação sênior: Ronald Sales

Coordenação executiva: Mauro Neto

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