A Justiça de Angola anunciou este sábado

(19) o encerramento de todos os templos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD)

em território nacional angolano.

A ordem de fechamento realizada pelo Ministério Público angolano é o estopim de uma série de

polêmicas judiciais e religiosas envolvendo a igreja de Edir Macedo no país

africano. Ao longo deste ano diversos templos da igreja já foram encerrados. A

influência da IURD na Angola cresce. Só na capital angolana, Luanda, são 211

templos.

A IURD em Angola declarou-se "surpresa"

com a ordem de encerramento de quatro dos seus templos durante o culto,

adiantando que nenhum deles estava no lote dos sete edifícios apreendidos pela

Procuradoria-Geral da República em agosto e classificou a operação policial

como "desproporcionada e excessiva".

Em declarações à agência de notícias Lusa, uma

fonte policial adiantou que os templos estão apreendidos e todos serão

encerrados. "Por conseguinte, enquanto decorre o processo não podem

realizar cultos", afirmou a mesma fonte, acrescentando que "para que

não se criem mais dúvidas a respeito, as partes serão notificadas nos próximos

dias, para aclarar a situação".

Este é o primeiro fim de semana em que são

retomados os cultos religiosos em Luanda desde março, época em que foi

declarado o estado de emergência em Angola devido à pandemia de covid-19.

Num comunicado enviado à Lusa, a IURD disse hoje

ter sido "surpreendida" com a chegada da polícia aos templos do

Kilamba, Estalagem, Km 30 e Samba, tendo sido decretado o encerramento dos

mesmos, apesar de os agentes não estarem "munidos de qualquer mandato ou

documentação de suporte".

Entenda o caso

A PGR angolana apreendeu, em agosto, sete templos

da IURD em Luanda (Alvalade, Maculusso, Morro Bento, Patriota, Benfica, Cazenga

e Viana), no âmbito de um processo-crime por alegadas práticas dos crimes de

associação criminosa, fraude fiscal e exportação ilícita de capitais.

A IURD destaca, no mesmo comunicado, que alguns

bispos e pastores foram levados para uma esquadra policial sem que se saiba

"o real motivo de tal ato", tendo sido libertados após prestarem

declarações.

Segundo a IURD, os agentes apenas terão informado

"que havia uma 'orientação' de que os templos da Universal não deveriam

estar abertos" e, por isso, estariam "em desobediência".

A IURD tem estado envolvida em várias polémicas em

Angola, depois de um grupo de dissidentes se afastar da direção brasileira, em

novembro do ano passado.

As tensões agudizaram-se em junho com a tomada de

templos pela ala reformista, entretanto constituída numa Comissão de Reforma de

Pastores Angolanos, com troca de acusações mútuas relativas à prática de atos

ilícitos.

Os angolanos, liderados pelo bispo Valente Bezerra,

afirmam que a decisão de romper com a representação brasileira em Angola

encabeçada pelo bispo Honorilton Gonçalves, fiel ao fundador Edir Macedo, se

deveu a práticas contrárias à religião, como a exigência da prática da

vasectomia, castração química, práticas de racismo, discriminação social, abuso

de autoridade, além da evasão de divisas para o exterior do país.

As alegações são negadas pela IURD Angola que, por

seu lado, acusa os dissidentes de "ataques xenófobos" e agressões a

pastores e intentou também processos judiciais contra os dissidentes.

A IURD Angola acusou anteriormente as autoridades

judiciais angolanas de terem feito apreensões ilegais e atentarem contra a

liberdade religiosa.

Neste momento correm os seus trâmites nos tribunais

angolanos vários processos judiciais relacionados com a IURD Angola.

O conflito deu origem à abertura de processos-crime

na PGR de Angola e subiu à esfera diplomática, com o Presidente brasileiro,

Jair Bolsonaro, a pedir ao seu homólogo João Lourenço garantias de proteção dos

pastores brasileiros e do património da Igreja, tendo o chefe de Estado

angolano prometido um "tratamento adequado" do assunto na justiça.

IURD tem mais de 200 igrejas só na capital Luanda Foto: Reprodução Facebook

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