A Polícia

Civil do Rio Grande do Sul investiga o motorista de aplicativo que fez insinuação sexual a uma passageira menor de idade no último domingo (16) em

Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre.

Durante a

tarde, a garota chamou um carro pelo aplicativo Uber para levá-la de sua casa

até uma amiga. O homem passou a fazer insinuações sexuais. Ela, então, gravou a

abordagem do motorista e divulgou nas suas redes sociais. A empresa baniu a

conta do motorista após o caso.

"Não

acreditei que aquilo estava acontecendo. Ele começou com elogios. 'Posso fazer

uma confissão? Você é a passageira mais linda que já peguei', ele falou. Depois

perguntou se eu tinha namorado ou era solteira. Eu disse que tinha namorado

para já cortar o assunto. Ele disse que me namoraria. Mas falei que ele tinha

idade para ser meu pai", contou a menina à reportagem.

"Não

sou teu pai, não", é possível ouvi-lo dizer na gravação. "Eu faria

coisas que teu pai não faria. Pode ter certeza", acrescentou.

"Fui

vítima dela. Ela entrou preparada para a conversa, sorriu todo o tempo. Se

fosse assediada, não estaria esparramada no banco dando risadinha. Isso prova a

intenção dela", disse André Lopes Machado, 43, à reportagem.

"No

vídeo estou rindo de nervosa, não estava sendo grosseira porque fiquei com medo

de que ele fizesse algo mais sério. [Fiquei com] medo de ser grossa e que daí

acontecesse algo comigo", disse a garota.garota de 17 anos posta vídeo expondo assédio que ela sofreu dentro do uber pic.twitter.com/vZrAGZcGGl— Alfinetei (@aIfinetei) February 17, 2020

O homem

disse ainda que o vídeo foi editado. "Minha ideia é que ela chamou o Uber

para dar um golpe", disse Machado.

"Eu me

senti assediada por ele. Olha as coisas que me disse, inclusive muito nojentas.

Ele ofereceu um serviço, o mínimo é respeitar. Não é Tinder, não é paquera, é

um serviço", disse a menina.

Apesar de

ter se sentido assediada, o homem pode ser indiciado por perturbação da

tranquilidade e não por assédio sexual, segundo a delegada do caso, Marina

Dillenburg, da Delegacia da Mulher de Viamão.

"O

assédio sexual, como previsto no código, precisa hierarquia entre autor e

vítima, como patrão e funcionária, professor e aluna. [Neste caso] não se vê. É

uma relação de consumo, a passageira usando um aplicativo. É um tipo de

assédio, obviamente, mas não o previsto no Código", disse Dillenburg. A

própria delegada procurou a família da garota após a repercussão nas redes

sociais, orientando para que registrassem a ocorrência.

Segundo a delegada,

após a repercussão nas redes sociais houve relatos de outras jovens que afirmam

terem sido abordadas por Machado em paradas de ônibus e em academias. Nenhuma

delas registrou ocorrência até o momento, disse Dillenburg.

Questionado

sobre o ter justificado a abordagem porque a garota usava um "short do

tipo Anitta, uma miniblusa", Machado respondeu que "virou um monstro

nacional" e que seu "erro foi ter elogiado a beleza da moça". A

afirmação foi dada à imprensa local e divulgada em um vídeo compartilhado pela

cantora.

"Acabei

de receber esse vídeo onde o motorista de Uber que assediou uma passageira

menor de idade tenta justificar o injustificável (seu assédio) dizendo que a

menina estava usando um short 'tipo Anitta' e sentada numa posição favorável ao

assédio", escreveu Anitta em rede social.Acabei de receber este vídeo onde o motorista de uber que assediou uma passageira menor de idade tenta justificar o injustificável (seu assédio) dizendo que a menina estava usando um short "tipo Anitta" e sentada numa posição favorável ao assédio pic.twitter.com/2NvMmmQjUR— Anitta (@Anitta) February 18, 2020

"Foi um

absurdo. Sempre disse para ela não pegar ônibus por causa dos assaltos. 'Pega

Uber para se sentir segura', dizia. Daí vem um sem vergonha e faz uma coisa

dessas. A mulher tem o livre arbítrio de ir e vir, no momento que quiser. Não é

por ter o braço e perna de fora que tem que ser ofendida, não está se

oferecendo por estar assim. Estava um calorão! Tem que ter respeito e ele não

teve com ela", disse a mãe da jovem.

A Uber disse

que "considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra

mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar

casos dessa natureza às autoridades competentes. A conta do motorista parceiro

foi banida assim que a denúncia foi feita".

A empresa

também disse que faz checagem de antecedentes criminais dos motoristas e que

faz rechecagens dos motoristas aprovados a cada 12 meses.

Foto: Reprodução

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